Ao som da música do Regresso ao Futuro, os Coldplay entram em palco ao som de "Mylo Xyloto", que desencadeia a primeira explosão de fogo de artificio - e de exaltação. Como seria de esperar, os hits sucedem-se uns aos outros numa espécie de best of ao vivo: "In My Place" provoca mais uma avalanche de aplausos e confirma a capacidade dos Coldplay em encher em som e em entusiasmo um estádio a rebentar pelas costuras. Depois de agradecer a perseverança de todos os que aguentaram à chuva pela chegada da banda, Chris Martin senta-se ao piano para o arranque frenético de "Lovers in Japan", que contrasta em tudo com a seguinte "The Scientist", entre trocadilhos com a cidade do Porto, as luzes intermitentes e comandadas à distância (com belo efeito sobretudo visto de cima), e o passa lá, dá cá de vozes entre o público e Chris Martin. De quando em vez são disparados canhões de confetis e atiradas bolas gigantes e coloridas para o meio da plateia e o tom de festa adensa-se.
De repente ilumina-se o palco de amarelo e é a deixa suficiente para que se relembre "Yellow", primeiro despida ao piano e cantada em uníssono, depois próxima da roupagem que deu aos Coldplay o primeiro sinal sério de estrelato. A passagem por A Rush of Blood to the Head, não muito tempo depois, foi oportunidade para "God Put a Smile Upon Your Face" e para ver vincar e de que maneira as diferenças entre os Coldplay entregues ao rock e os Coldplay entregues às doçuras da música pop.
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De regresso ao palco de todas as atenções, Chris Martin dá as boas-vindas a "Don't Let it Break Your Heart", altura em que uns insufláveis semi-alienígenas de cor púrpura decidem mostrar a cara vindos das saídas de emergência do estádio e de pontos estratégicos. "Viva la Vida" surge do nada e provoca uma explosão de entusiasmo de 8.9 na escala de Coldplay. As pulseiras electrónicas (não confundir com as homónimas) piscam ainda mais intensamente, 99.7% das pessoas não têm os pés fixos no chão (e isto não é uma metáfora) porque "Charlie Brown" já se faz ouvir alto e bom som (o que lembra que o som estava realmente muito bom), num momento de contundente concisão pop. A explosão de cores de "Paradise" mostrou, se dúvidas ainda restassem, a apetência e habilidade dos Coldplay para escreverem algumas das canções mais orelhudas da actualidade: canções de peito cheio, melodicamente apuradas (mesmo na sua simplicidade), hinos de fácil identificação para esta geração.
Já no encore, sem que nada o faça prever, Chris Martin surge num pequeno palco no outro extremo do estádio e, sozinho e de guitarra acústica na mão, investe em "Up Against the World" até que, um por um, os restantes Coldplay vão chegando para vestir a canção detalhes após detalhe. Seguiu-se "Speed of Sound" na mesma toada confessional e pouco depois "Clocks" lembra tudo e todos que não existe tal coisa como os Coldplay ficarem sem hits no alinhamento. Mais: demonstra o poder de uma boa linha de piano para o alcance e poderio de uma canção pop que se quer em grande escala.
Para o final estavam guardadas "Fix You" e "Every Teardrop is a Waterfall", momento que serviu para Chris Martin desfilar com a inevitável bandeira portuguesa e para fazer explodir no ar mais um banho de fogo-de-artifício. Última fotografia mental da noite: Chris Martin saindo do palco não sem antes o beijar de joelhos. Minutos depois do final, havia ainda quem entoasse "Viva la Vida" na tentativa de provocar o regresso da banda; Mas sem sucesso. Restou aos 50 mil trautear o êxito favorito dos Coldplay no regresso a casa: afinal de contas, as filas de trânsito à saída do Estádio do Dragão haviam de proporcionar mais uma ou duas horas para acalmar os ânimos de uma noite de emoções fortes.
Fotos de Cristina Pinto

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